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Planeta cidade

Dados do mais recente Censo do IBGE, apresentados em reportagem da jornalista Carla Guedes publicada na edição do último domingo (20 de novembro) em O Diário, revelam tendências importantes, que precisam ser consideradas no planejamento urbano.

Na última década, o número de residências em Maringá cresceu 38,68%, enquanto que a população aumentou em 23,7%. Isto ocorre porque, embora o número médio de pessoas por família tenha diminuído no Brasil, a população segue crescendo. Famílias menores, porém mais numerosas, demandam a construção de mais residências.

Essa é uma tendência mundial: biólogos norte-americanos estimaram que 233 milhões de residências serão construídas em áreas de grande biodiversidade, para acomodar os núcleos familiares que estão se formando. Mais da metade da população mundial vive em cidades, percentual que aumentará nos próximos anos.

A enorme demanda por moradia impõe às municipalidades desafios na mesma proporção. Mais moradias redundam em maior consumo de recursos, e na conversão de bosques e áreas agrícolas em cidades.

Estudamos detalhadamente essas tendências de expansão urbana, e escrevemos a tese de doutorado "Planeta Cidade: Ecologia Urbana e Planificação de Cidades Médias do Brasil."

A tese será defendida no mês de dezembro próximo, na Universidade Autônoma de Madri, e contém uma série de diretrizes de planejamento com o duplo objetivo de colaborar para um aumento da qualidade de vida, em paralelo à diminuição de impactos ambientais resultantes da urbanização.

As cidades brasileiras predominantemente horizontais, como Maringá, possuem um recurso extraordinário, cujo potencial não é aproveitado.

Os quintais urbanos, em conjunto, detém centenas de hectares de solo que pode ser usado para o cultivo de alimentos, para a conservação da flora (não é incomum encontrar nesses espaços, espécies vegetais ameaçadas de extinção) e para a atração de populações de animais com funções ecológicas importantes, como a polinização.

Estudos da FAO demonstram que cultivos nos quintais podem alimentar as famílias, ao longo do ano, com frutas e hortaliças. Evidentemente, o incremento da área cultivada nos quintais só acontecerá com um aporte incisivo de incentivos diversos, que abrangem educação nutricional e suporte agronômico.

É fundamental o estabelecimento de legislação que garanta uma área mínima não pavimentada nos quintais, que, de acordo com nossos estudos, não deverá ser menor do que 100 metros quadrados.

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