Notícia

Quiosques, símbolo de vivência urbana

Os quiosques chegaram a Lisboa no século XIX, por serem moda em Paris, tornaram-se símbolo de vivência urbana e, sobrevivendo aos amores e desamores de cada época, continuam nas ruas, fiéis à memória, e, hoje, muito em voga.

Os quiosques foram - primeiro em Lisboa, a partir de 1868, e depois pelas cidades de todo o país, motores de uma sociabilidade urbana. Com outras peças de mobiliário urbano, como os candeeiros de iluminação pública ou os bancos de jardim, mudaram muito os hábitos de quem vivia na cidade, explica o historiador de Arte Pedro Bebiano Braga, autor de várias publicações sobre este tema.

Em torno dos quiosques havia sempre gente e burburinho. Estes eram espaços acessíveis, econômicos, e, por isso, eram escolhidos sobretudo pelos operários e pela pequena burguesia comerciante.

No livro OS QUIOSQUES DE LISBOA, Baltazar Matos Caeiro escreve que era em redor do balcão destas casinhas, onde fervilhava vida, que as pessoas conversavam e bebiam, amenizando um dia de trabalho, à ida para o emprego ou antes de irem para casa, ou aos domingos e dias festivos, em descuidados passeios com a família.

Das janelas saíam, como hoje, jornais, revistas, cigarros, refrescos, petiscos. Mas cada quiosque, sua especialidade. No início do século XX, alguns passaram a vender sorvetes. Os do Terreiro do Paço, escreve o mesmo autor, vendiam também peixe frito e azeitonas. Outros, de forma muito pontual, lembra Pedro Bebiano Braga, alugavam brinquedos, ou então vendiam bijuteria.

Por aqui passaram também as mudanças políticas do país;estes espaços tinham um papel importantíssimo no espalhar da notícia, do relato, do mexerico. Havia um quiosque no Rossio cujo dono estava sempre muito bem informado, e que tinha uma clientela muito revolucionária, muitos republicanos, ainda antes da queda da Monarquia. Este quiosque foi vítima de um atentado, recorda o historiador.

No início, os quiosques são tidos como o móvel urbano moderno, que todas as grandes cidades europeias têm, a começar pela cidade de Paris, explica. Numa fase seguinte, tentou-se uniformizar a forma dos quiosques, e depois, no início do século XX, estes objetos começaram a ser considerados uma forma de conviver já antiga. O fim da guerra de 1914-1918 trouxe vontade de mudar as cidades e muitos quiosques foram demolidos por se achar que eram um modelo muito preso a uma cidade oitocentista e romântica.

Esta ideia recuou nos anos de 1980, quando se tentou, de alguma forma, recuperar os quiosq
COMPARTILHAR
Trabalhe conosco Entre em contato
aceitamos cartão BNDES
Av. Antônio Lacerda, 955 - Lote P - Dist Industrial | Pilar do Sul - SP Fale Conosco | contato@grupocoesa.com.br Acesso à administração do site Acesso à administração do site